Panorama de Uso de IA no Brasil 2025: O que os Dados Reais Revelam

Visualização panorâmica de adoção de inteligência artificial no Brasil 2025

Quantos brasileiros usam inteligência artificial?

A resposta, pela primeira vez, vem de uma pesquisa nacional de grande escala com metodologia rigorosa: 32% dos internautas brasileiros — o equivalente a aproximadamente 50 milhões de pessoas com 10 anos ou mais — já utilizavam inteligência artificial generativa em 2025.

O dado é da TIC Domicílios 2025, pesquisa do Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br/CGI.br), realizada entre março e agosto de 2025 com 27.177 domicílios e 24.535 indivíduos entrevistados — uma das maiores amostras já coletadas sobre comportamento digital no país.

Para ter dimensão: em 2024, o Brasil tinha cerca de 181 milhões de usuários de internet. Os 32% que já usam IA representam, portanto, um terço da população conectada — um marco relevante para um país em que a tecnologia chegou de forma desigual.

Principal uso declarado: 84% dos usuários de IA generativa no Brasil a utilizam para fins pessoais (estudo, lazer, produtividade do dia a dia), segundo a mesma pesquisa Cetic.br/CGI.br (coleta: mar–ago/2025).

Quem usa IA no Brasil? Perfil por renda e escolaridade

O dado agregado de 50 milhões esconde uma fratura social significativa. A TIC Domicílios 2025 (Cetic.br/CGI.br, coleta mar–ago/2025) detalha a adoção por classe social e escolaridade:

Grupo% que usa IA generativa
Classe A69%
Classes D/E16%
Ensino superior completo59%
Ensino fundamental17%
Média geral (internautas)32%

Fonte: CGI.br / Cetic.br — TIC Domicílios 2025, coleta mar–ago/2025, amostra de 24.535 indivíduos.

Gráfico de barras mostrando adoção de IA generativa por grupo social no Brasil em 2025: Classe A 69%, Ensino Superior 59%, Média Geral 32%, Ensino Fundamental 17%, Classes D/E 16%
Adoção de IA generativa por grupo social — CGI.br / TIC Domicílios 2025

A diferença é de 4,3 vezes entre classe A e classes D/E, e de 3,5 vezes entre nível superior e fundamental. Não se trata de uma divisão simples entre “usa” e “não usa”: trata-se de quem tem acesso a dispositivos adequados, conexão de qualidade e letramento digital suficiente para extrair valor dessas ferramentas.

O relatório do CGI.br resume o fenômeno com precisão: “os potenciais benefícios da IA continuam limitados às camadas de maior renda e escolaridade”. Isso significa que, embora o Brasil tenha 50 milhões de usuários de IA, a distribuição dos ganhos de produtividade ainda é concentrada.

Como as empresas brasileiras adotam IA?

Se o crescimento entre consumidores é expressivo, no setor empresarial a mudança é ainda mais acentuada. O IBGE PINTEC Semestral 2024 — Pesquisa de Inovação realizada pelo IBGE e divulgada em setembro de 2025 — mostra um salto de +148% (quase 2,5x) na adoção de IA pelas indústrias brasileiras em apenas dois anos (amostra: 10.167 empresas industriais com 100 ou mais empregados):

  • 2022: 16,9% das empresas industriais brasileiras usavam IA
  • 2024: 41,9% das empresas industriais brasileiras usavam IA
  • Variação: +148% (quase 2,5x) em dois anos
Gráfico comparativo: empresas industriais brasileiras usando IA subiram de 16,9% em 2022 para 41,9% em 2024, crescimento de 148%
Evolução da adoção de IA nas indústrias brasileiras — IBGE PINTEC Semestral 2024

Fonte: IBGE PINTEC Semestral 2024, publicado set/2025.

O PINTEC também detalha onde e por que as empresas adotam IA:

DimensãoDado
Área mais comum de uso: Administração87,9% das empresas que usam IA
Área: Comercialização75,2%
Benefício principal citado: Eficiência operacional90,3%
Principal obstáculo: Custo alto74,3%

Fonte: IBGE PINTEC Semestral 2024, coleta/publicação set/2025.

O dado sobre obstáculos é revelador: quase três em cada quatro empresas que ainda não adotaram IA citam o custo como barreira principal. Isso aponta para um mercado que enxerga valor na tecnologia, mas ainda enfrenta limitações de acesso — padrão semelhante ao do segmento de consumo.

Para saber como diferentes setores estão aplicando IA na prática, veja nossos guias específicos: IA para contadores, IA para médicos e IA para vendedores.

Consumidores vs empresas: uma visão comparativa

DimensãoConsumidores (CGI.br 2025)Empresas industriais (IBGE 2024)
Taxa de adoção32% dos internautas41,9% das empresas
Crescimento recenteDado de linha de base 2025+148% (quase 2,5x) em 2022–2024
Uso predominantePessoal (84%)Administração (87,9%)
Principal barreiraDesigualdade renda/escolaridadeCusto alto (74,3%)
FonteTIC Domicílios 2025, CGI.brPINTEC Semestral 2024, IBGE

O Brasil vs o mundo: como estamos na adoção de IA?

Para contextualizar os números brasileiros no cenário global, o Google/Ipsos Multi-Country AI Survey 2025 oferece um ponto de comparação relevante. A pesquisa foi realizada entre setembro e outubro de 2025 com uma amostra de 1.000 adultos brasileiros com 18 anos ou mais (margem de erro: ±3,8 pontos percentuais), como parte de um levantamento multinacional coordenado pelo Google e conduzido pelo Ipsos.

Os resultados para o Brasil:

  • 71% dos adultos brasileiros já utilizaram um chatbot de IA — crescimento de +25 pontos percentuais em relação a 2023
  • 57% dos brasileiros declararam confiar na IA tanto quanto confiam em um ser humano para determinadas tarefas

Fonte: Google/Ipsos Multi-Country AI Survey 2025, coleta set–out/2025, amostra de 1.000 adultos BR ≥18 anos.

O dado de 71% (Ipsos, adultos) versus 32% (CGI.br, internautas ≥10 anos) pode parecer contraditório à primeira vista, mas reflete metodologias diferentes: o Ipsos mede exposição a chatbots de IA entre adultos, enquanto o CGI.br mede uso de “IA generativa” numa amostra que inclui crianças e adolescentes e numa definição potencialmente mais restrita. Ambos são válidos; medem ângulos complementares do mesmo fenômeno.

O que os dois concordam: o Brasil avançou rápido. O salto de +25 pontos percentuais em dois anos registrado pelo Ipsos é consistente com a explosão de ferramentas acessíveis em português — ChatGPT, Gemini, Copilot, entre outras — e com o crescimento do mercado de ferramentas de IA disponíveis no país.

Como as três pesquisas foram feitas

Os dados apresentados neste artigo provêm de três fontes independentes com metodologias distintas. Entender como cada pesquisa foi conduzida é essencial para interpretar os números com precisão — e para saber o que cada índice de fato mede.

TIC Domicílios 2025 — CGI.br / Cetic.br

A Pesquisa sobre o Uso das Tecnologias de Informação e Comunicação nos Domicílios Brasileiros (TIC Domicílios) é realizada anualmente pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br), vinculado ao Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br).

A edição de 2025 foi conduzida entre março e agosto de 2025 em 27.177 domicílios em todas as regiões do país, com entrevistas presenciais. Foram ouvidos 24.535 indivíduos com 10 anos ou mais. A amostra é probabilística com cobertura nacional — áreas urbanas e rurais — e representa o universo de aproximadamente 181 milhões de usuários de internet brasileiros.

A pergunta sobre IA generativa foi incluída como módulo novo nessa edição. O critério de uso adotado é declaratório e recente: o respondente afirmou ter utilizado alguma ferramenta de IA generativa (chatbots como ChatGPT, Gemini, Copilot e similares) nos últimos três meses anteriores à entrevista. Isso torna o índice de 32% um termômetro de uso ativo — não apenas de experimentação pontual.

Os resultados foram divulgados publicamente pelo CGI.br em dezembro de 2025 com nota metodológica completa, acessível no site do Cetic.br.

IBGE PINTEC Semestral 2024

A Pesquisa de Inovação Semestral (PINTEC Semestral) é conduzida pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e foca no universo das empresas industriais brasileiras com 100 ou mais empregados — universo de 10.167 empresas na edição de 2024.

A pesquisa mapeia práticas de inovação tecnológica, incluindo adoção de inteligência artificial em processos produtivos, administrativos e comerciais. Os dados de adoção de IA (16,9% em 2022 e 41,9% em 2024) foram publicados em setembro de 2025. A comparação entre os dois anos é possível porque os mesmos critérios de mensuração foram aplicados em ambas as edições, tornando o crescimento de +148% diretamente comparável.

Um detalhe metodológico importante: os percentuais de áreas de aplicação (87,9% em administração, 75,2% em comercialização) e de benefícios (90,3% eficiência operacional) são calculados sobre o subgrupo de empresas que já usam IA — não sobre o total da amostra. Da mesma forma, o obstáculo “custo alto” (74,3%) refere-se às empresas que ainda não adotaram a tecnologia.

Google/Ipsos Multi-Country AI Survey 2025

O terceiro estudo foi realizado pelo Ipsos em parceria com o Google como parte de uma pesquisa multinacional sobre adoção de inteligência artificial. Para o Brasil, a coleta ocorreu entre setembro e outubro de 2025 com uma amostra de 1.000 adultos brasileiros com 18 anos ou mais, recrutados por método online. A margem de erro declarada é de ±3,8 pontos percentuais (intervalo de confiança de 95%).

A metodologia difere das anteriores em dois pontos fundamentais: a amostra é adultos (18+) em vez de incluir adolescentes e crianças, e o critério de uso é mais amplo — “já utilizou algum chatbot de IA” engloba qualquer uso histórico, enquanto o CGI.br mede uso recente (últimos 3 meses). Isso explica, em grande parte, por que o índice do Ipsos (71%) é substancialmente mais alto que o do CGI.br (32%).

O crescimento de +25 pontos percentuais em dois anos (comparado a pesquisa equivalente de 2023) reflete a expansão do acesso a ferramentas de IA em português — em especial ChatGPT, Gemini e Copilot, que se tornaram amplamente acessíveis ao público brasileiro a partir de 2023 com interfaces localizadas e planos gratuitos.

Perguntas frequentes sobre uso de IA no Brasil

Conclusão

Os dados de 2025 confirmam uma transição real: a inteligência artificial deixou de ser uma curiosidade tecnológica para uma camada restrita da população e se tornou parte do cotidiano de dezenas de milhões de brasileiros — e de quase metade das indústrias do país.

O que os números também revelam é que essa transição tem dois ritmos: entre pessoas, a adoção avança, mas ainda é fortemente condicionada por renda e escolaridade; entre empresas, o crescimento é mais homogêneo, mas o custo segue como obstáculo relevante.

Para o Brasil, o desafio dos próximos anos não é tanto “se” a IA vai se expandir — os dados do CGI.br, IBGE e Ipsos mostram que já está — mas quem vai ter acesso real aos seus benefícios.

Fontes primárias utilizadas neste artigo:

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